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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Não é apenas uma crise humanitária... é também uma crise na paz

A atual crise humanitária de mais de 4 milhões de refugiados que lutam no seu caminho para a Europa não foi inesperada. A guerra síria tem sido travada desde 2011. Desde então, mais de metade da população de 20 milhões de pessoas do país foram deslocadas. No entanto, os refugiados sírios representam apenas metade do fluxo atual de refugiados para a Europa. A outra metade vem de outras áreas devastadas pela guerra na Líbia, Somália, Iêmen e do Afeganistão. As pessoas na Europa e Estados Unidos testemunham as histórias de refugiados desesperados sacrificando suas vidas para alcançar a segurança enquanto o Ocidente debate a questão de quantos refugiados cada país pode reassentar, simultaneamente, tentando compreender e prevenir o recrutamento de extremistas dentro de suas próprias fronteiras.

domingo, 1 de novembro de 2015

Cultura e peacebuilding: um breve panaroma

Enquanto diferenças culturais podem estar situadas entre algumas das principais motivações para o surgimento ou a potencialização de conflitos, uma outra perspectiva - tradicionalmente colocada em segundo plano - torna-se válida ao perceber que a efetividade de processos de peacebuilding centrados em medidas puramente políticas e/ou militares nem sempre é garantida.

Hoje, todos os conflitos são e devem ser uma preocupação de todos, uma vez que no nosso mundo globalizado um conflito em qualquer lugar pode gerar conflitos em todos os lugares. Em tempos de comunicação sem precedentes, oportunidades, interconectividade e migração, os riscos para a paz também se encontram nas desigualdades, no fanatismo e na marginalização dos grupos vulneráveis, bem como na rejeição e na ignorância de outras culturas, juntamente com as suas tradições, crenças e histórias.


Neste contexto, a cultura surge como um fator essencial tanto para o desenvolvimento sustentável quanto para uma paz duradoura. Na verdade, nem o progresso equitativo nem a coesão social é verdadeiramente possível se a cultura é deixada de lado. Pelo contrário, o caminho para o desenvolvimento inclusivo social e econômico, a sustentabilidade ambiental, a paz e a segurança está firmemente enraizado na cultura, entendida nos seus sentidos espirituais, materiais, intelectuais e emocionais, e englobando diversos sistemas de valores, tradições e crenças. A cultura influencia diretamente a relação das pessoas com o desenvolvimento sustentável, os conflitos e reconciliação de diferentes maneiras. Como um repositório de conhecimento, significado e valores que permeiam todos os aspectos da nossa vida, a cultura também define a forma como os seres humanos vivem e interagem uns com os outros e seu meio ambiente.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Primavera Árabe em Perspectiva

Créditos: AFP/STR
Primavera Árabe foi o termo dado à série de movimentos populares contra governos ditatoriais e de caráteres antidemocráticos que eclodiram ao redor de todo o mundo Árabe em 2011, a raiz de tais eventos sendo as péssimas condições de vida da população destes países, onde se sofria constantemente com crises econômicas e os baixos índices de desenvolvimento humano.

A fagulha que deu início a Primavera Árabe foi a chamada ‘’Revolução de Jasmim’’, uma onda de protestos na Tunísia logo após o suicídio do feirante Mohamed Bouazizi, que ateou fogo em si mesmo como um ato de desespero contra as condições em que a população tunisiana se encontrava. A ação gerou ondas de revolta extrema, conseguindo mobilizar milhares as ruas, pressionando o então presidente Zine al-Abidine Ben Ali a deixar o poder que ele detinha há mais de 20 anos. Os protestos seguiram para o Egito, onde também houve a derrubada do então presidente, Hosni Mubarak, que estava no cargo desde 1981. Logo após a revolução atingiu a Líbia, eclodindo em uma série de conflitos que levaram a morte do ditador Muammar Khadafi, sendo ele o líder da mais longa ditadura do mundo árabe, completando 42 anos no poder quando foi morto por apoiadores do novo regime.

domingo, 11 de outubro de 2015

O Papel das Missões de Paz na Resolução de Conflitos

Leonardo de Araujo Lemos
Melissa Alves Santos
Renan Augusto Ferreira de Lima



Conflitos de natureza política, cultural, social, econômicos. Muitas são as motivações por trás das contendas estabelecidas entre Estados, etnias e os mais variados grupos sociais. Mas, como a atuação de instituições podem se desenvolver diante da eclosão e profusão de atividades nocivas aos seres humanos? Por meio deste artigo será possível esclarecer questões substanciais, visando apresentar as atitudes perpetradas por instituições, cuja responsabilidade se debruça sobre a transformação dos conflitos mundiais. 


A Resolução de Conflitos é considerada um campo de estudos, tanto quanto um modelo de metodologia, cujo objetivo é encerrar conflitos, gerando uma paz duradoura. As estratégias utilizadas em seu contexto buscam extinguir quaisquer tipos de animosidades, ou ao menos minimizá-las, de tal forma que seja possível o impedimento à continuação da promoção de violência pelas partes envolvidas na contenda (JEONG, 2010).